Relato de parto do João Pedro

Consegui! Depois de dois anos que recebemos João aqui na Terra, pari o relato de parto. ><

Acredito que hoje, melhor do que nunca, eu consigo olhar e compreender o que passei durante o processo de gestação, parto e pós-parto. Pensei que não conseguiria mais lembrar de como ocorreram os fatos, mas fluiu tão bem… A memória funcionou! (milagre! rsrs) Tudo acontece na hora certa!

Bom, então vamos lá!
Quando eu e Gabriel descobrimos que tínhamos concebido o João, não imaginávamos o que vinha pela frente. Simplesmente nos entregamos para o presente que havia chegado, e, confesso, não estávamos preparados emocional e psicologicamente para esta chegada.

Graças a natureza divina, no quesito saúde, tudo ocorreu bem durante a gestação … Eu fazia as minhas atividades normalmente: facul, estágio, rolês, igreja… As vezes até esquecia que tava grávida… Biologicamente, tudo ocorreu naturalmente…

A saúde de minha gestação foi importante na decisão de fazer o parto em casa, pois eu sentia que era a melhor alternativa: menos invasiva, mais particular… sentia que era seguro, pois para mim, se eu conseguia gerar a vida, consequentemente, conseguiria parir! Tinha certeza de que tudo ia dar certo, pois, como mulher, fui biologicamente programada para isso!

Durante o ciclo de gravidez, vivenciei muitas situações… coisas boas, intensas, ruins também… experiências internas de busca do autoconhecimento (ao iniciar meus estudos no Santo Daime), e situações dramáticas no seio da família que marcaram muito a história da minha vida. Eu e Gabriel, aos 20 e 21 anos de idade, entregues a paixão de uma história linda que estava nascendo, fomos pegos de surpresa ao receber João Pedro em nossos braços…

Gestar uma vida… Parir… Cuidar… Foi um processo de despertar difícil que nos chamou para sairmos da zona de conforto.
Receber o João foi um chamado da vida!

O parto foi como uma pequena demonstração de como essa missão de cuidar e guiar um ser humano não seria nada fácil! E o modo como eu lidei com a dor no trabalho de parto refletiu a forma com que eu reagiria no puerpério, à novidade de me tornar mãe… ><

Não fazia ideia do que estava me esperando… Eu só estava vivendo um dia de cada vez, sem criar expectativas com o futuro. Acredito que só fui me dar conta de que eu realmente estava carregando em meu ventre um ser humaninho no momento do parto! Me sentia muito aquém durante a gestação! Não conseguia visualizar ele dentro de mim…

Fomos despertados para a realidade que nos encontrávamos quando o menino pediu pra sair! Agora, tomávamos a posição de cuidadores… Junto com João Pedro, nasceu uma mãe e um pai recém-chegados… Que ainda nem sabiam cuidar de si… E que deveriam dar conta do recado! Isso só foi sendo reconhecido por nós ao longo do tempo.

 

O contato com a humanização do parto…

Antes de engravidar, eu nem sabia o que era parto humanizado, nem sabia que existiam doulas… Foi numa roda de fogueira, na igreja, que me falam sobre o trabalho delas. Essa info me chamou muito a atenção, pois até então, eu me sentia completamente despreparada…

Fui procurar na internet sobre doulas em Campo Grande, vi a foto da Fernanda, entrei em contato, e gostei dela logo de cara! Parecia até uma irmã de outras vidas. Me reconheci nela, e me inspirei nela. Uma flor iluminada, Fernanda… Sinto muita gratidão em ter encontrado e ter partilhado um pouco sobre a história de minha família contigo…

Nesta época, Fernanda fazia parte da equipe da Papo de Gaia, que é um grupo de profissionais (psicóloga, doulas, enfermeiras, educadora física, etc.) que trabalham com gestantes que buscam informação, assistência referente a parto, pós-parto…

Até então, íamos fazer o parto hospitalar, por ter sido este o caminho já percorrido por minha mãe e tias e pelas mulheres em geral… Já estávamos a dialogar sobre qual maternidade seria, pesquisando sobre o plano de parto, sobre as condições e procedimentos realizados no hospital; sobre como tornar o parto mais humano, mesmo dentro do hospital, etc…

Nestes período, surgiu a possibilidade de fazermos um curso Casal Gestante, que abordaria diversos aspectos sobre gestação, parto e pós-parto, informações importantes que eu e Gabriel precisávamos para iniciar a jornada como mãe e pai.

Quando chegamos no local, nos surpreendemos com a estrutura que o grupo conseguiu criar. Fomos recebidos com uma rosa, ação que encheu meu coração de gratidão… Recebemos presentes, nos munimos de informação, e também tivemos a oportunidade de ganharmos 50% de desconto na assistência ao parto com a Fernanda. A promoção valeria para o primeiro casal que comparecesse na sede da Papo de Gaia na segunda-feira da semana seguinte.

Ficamos animados com o lance dos 50%, e no dia determinado, pegamos o busão e partimos pro shopping Bosque dos Ypes. Quando chegamos lá, descobrimos que não era lá o lugar aonde encontraríamos a Papo de Gaia! kkkk
Depois de um tempo de frustração, e um pouco de irritação com a demora do ônibus, e por estarmos do outro lado da cidade xD Junto com o medo de perdermos a chance que havia aparecido, respiramos fundo e fomos para o lugar certo! kkkk Chegamos lá, e a surpresa veio: éramos o segundo casal do dia a aparecer. =(

Mas o nosso esforço não foi em vão! Mesmo não chegando em primeiro, conseguimos o desconto no parto! Viva!!! =D

Fernanda me acompanhou desde o 7º mês de gestação. Tínhamos encontros semanais, nos quais ela conversava conosco sobre o parto humanizado, o gestar, sobre o trabalho de parto, pós-parto, preparação para o trabalho de parto…

Ela compartilhou sua experiência de ter recebido sua filha em um parto doméstico, e eu me interessei muito em conhecer sobre essa alternativa. Vi muitos vídeos, li um pouco sobre o assunto, e me decidi que iria parir em casa! E Gabriel me apoiou!

Só tinha um porém: nós morávamos com a minha mãe, na casa dela… Sempre me importei muito com o que minha mãe pensava sobre mim, e morando sob o teto dela, me sentia muito conectada a ela, que, por sinal, não aprovava a ideia do parto em casa. Foi difícil de eu conseguir me abrir e dizer o que meu coração estava me dizendo para fazer.

Pensei em fazer o parto sem ela saber (parir igual gata, sem aviso formal kkkk), mas Fernanda me orientou a dialogar com ela, me abrir, e ver a possibilidade de realizar o parto ali. Como a casa era dela, seria desrespeitosa esta alternativa. Eu estava realmente decidida a fazer o parto doméstico, e falei para o Gabriel que se não desse para fazer o parto na casa de minha mãe, teríamos de arrumar outra casa para parir! =P

Fique este período igual gata quando procura um lugar seguro para receber João. A alternativa de ir para o hospital era terrível para mim… Diante de tantos relatos de violência obstétrica; por ser realizados procedimentos desnecessários como rotina (muitas vezes sem o consentimento da mulher); por ser um lugar desconhecido para mim, eu sabia que ficaria pouco a vontade para me expressar livre e sem pudor… Eu sentia que um lugar frio como aquele não me permitiria me conectar espiritualmente com aquele momento único para mim e para meu brotinho…

Abriu a possibilidade de fazermos o parto na casa da avó do Gabriel. Fomos visitar; era um espaço decente, e poderíamos receber João ali; mas eu sentia que aquele não era o lugar certo… Eu queria parir em minha casa… Aonde havia um pouco de natureza, aonde eu me sentia bem, aconchegada…

Pois bem… Depois de muito pensar, refletir, treinar como eu ia falar para minha mãe sobre minha decisão, resolvi escrever uma carta. Expressei minha vontade, minha confiança, meu amor… Depois de ler, minha mãe se emocionou bastante. Sentiu medo, ficou insegura com a decisão. Conversamos sobre, e eu coloquei para ela que se não pudesse ser ali, seria em outra casa… Mas que eu gostaria muito que fosse ali. Ela permitiu, mesmo diante de todo tabu de parir fora do hospital. \o/ Rompemos com o pré-estabelecido.\o/

A partir de então, precisaríamos encontrar uma enfermeira obstetra que nos acompanhasse no final de gestação e que topasse acompanhar o parto, por um preço justo. Fernanda me passou alguns contatos, até que encontramos a enfermeira Karina, que não morava em CG, mas que topava acompanhar a gente nesta missão. Karina veio nos conhecer 1 vez antes do parto, para ver os exames de pré-natal e para examinar a mim e o baby.

Fizemos uma rifa para juntar o dinheiro pra pagar Fernanda e Karina, e foi bem legal a participação dos amigos e familiares! Conseguimos arrecadar em torno de R$400,00, o que facilitou e muito o acompanhamento pré-natal. Até tentamos juntar mais grana pro parto, mas não rolou. Acabou que a titita-vó do João <3 Linda <3 topou em bancar o rolê *-* Gastamos R$2.000,00 no parto do João Pedro.

Neste processo, vimos que a categoria dos médicos obstetras abominam o parto em casa e que não havia nenhum em Campo Grande que topasse acompanhar um parto domiciliar.  Diante disso, me pergunto: pra quê tanta dominação, caros cavalheiros? Mulher nasceu pra parir, não precisa de homem enfiando o bedelho aonde não precisa! E ainda por cima, desvalorizando a capacidade da mulher parir! – É ISSO QUE ACONTECE NA MAIORIA DAS VEZES EM MATERNIDADES E HOSPITAIS – principalmente se a mulher não estiver munida de informação sobre humanização! AH! E aprendemos também que parto humanizado em maternidade é coisa de burgues! Artigo de luxo!

Pesquisamos modelos de Planos de Parto, e fomos acrescentando o que nós esperávamos que acontecesse. O Plano continha três possibilidades:

A) Vivenciar um parto doméstico, com a assistência humanizada da doula Fernanda Leite e da Enfermeira Obstétrica Karina Amaral.

B) Ida para o hospital, caso alguma coisa desse errado. Para isso, teríamos de ter alguém motorizado junto, para o transporte. Também deveríamos ter uma obstetra de retaguarda no hospital, para nos atender quando chegássemos lá (que estivesse avisada previamente, e que nos permitisse prosseguir com o parto natural humanizado).

C) Seria a realização da cesária, que faríamos no caso de as outras duas possibilidades não acontecesse de forma segura para mim e para João Pedro.

Apesar de saber que as coisas poderiam não sair conforme o que eu queria, eu fiquei confiante em minha decisão de parir em casa. Se eu fosse me guiar pelo que os outros ao redor pensavam disso, com certeza eu não teria feito! Medos de ocorrer alguma situação indesejada no momento do parto, falta de confiança de que eu (a “menina tímida, frágil”) conseguiria passar um parto natural… Isso, e muito mais, tentava me atingir. Mas eu persisti!

 

O trabalho de parto…

Comecei a sentir que as contrações estavam se modificando de intensidade na manhã do dia 04 de agosto de 2014. Contrações mais intensas, porém, em intervalos de tempo irregulares – eram os pródromos, preparação para o Trabalho de Parto (TP) Ativo. Estávamos completando exatas 42 semanas de gestação.

Eu, um broto de gente, me entregando ao desconhecido, esperava João nascer… sementinha divina, estava prestes a sair da terra e respirar o ar pela primeira vez nessa vida… Gabriel, companheiro leal, estava ao meu lado para ajudar no que fosse necessário, me dando força e me incentivando a continuar… Mãe Marlene permanecia por perto, junto com minha irmã Natalia, rezando, com fé que Deus estava no comando! Família toda aguardando o nascimento!

O dia estava lindo, céu azul, sol aquecendo… Era uma segunda-feira. Eu me sentia bem disposta, segura. Falei pro Gabriel que as contrações estavam se modificando de intensidade, e que talvez aquele seria o dia tão esperado! A princípio ele ficou apreensivo, sem saber o que fazer primeiro. Preocupado, ansioso… Chorou! Conversei com ele, acalmamos os ânimos, e fomos arrumando o ambiente para o parto.

Montamos o altar, meditei um pouco, liguei para Fernanda, que chegaria quando eu entrasse em trabalho de parto ativo. As dores não estavam tão fortes até então, e eu seguia tranquila. Liguei para minha mãe, que veio ficar conosco. Ela fez almoço, nós comemos, fomos limpando e organizando a casa, e as dores foram gradualmente aumentando de intensidade, regularizando o intervalo de tempo entre as contrações por volta das 12h.

Avisamos a Fernanda, que veio até nós, e a Karina também estava vindo para CG. O trabalho de parto estava começando. Fiquei no jardim nas primeiras horas da tarde, sentindo as dores que estavam suportáveis, curtindo o dia. Caminhava, meditava, ia pro chuveiro. Consagrei um pouco do Santo Daime que havíamos sido presenteados para a ocasião, o que me inspirou a seguir cantando e vocalizando o som que minha alma queria expressar.

Quando as dores começaram a ficar mais fortes, a coisa apertou pro meu lado! =P Eu já não tinha o mesmo sorriso nos lábios, e comecei a sentir falta de não ter me preparado melhor para lidar com o desconforto das contrações. Eu não me lembrava das posições e exercícios que poderia fazer, e basicamente fiquei no chuveiro (na bola) e no quarto (agonizando, sem saber como extravasar a dor). Fernanda e Gabriel ficaram em meu lado, e revezavam na assistência que eu pedia. Minha mãe e minha irmã, que estavam na casa, não ficaram por perto durante o TP Ativo. Só fui vê-las depois que João já havia nascido.

A Fernanda era tão sutil e silenciosa que quando entrava e saia do banheiro, eu nem notava… Ela me ajudou a aliviar a dor com massagens, feitas com óleo que ela mesmo havia preparado para o dia. E como essas massagens confortavam-me! Quando a dor vem em seu estado mais agudo, isso me ajudava muito!

Aquela dor me dilacerava, e eu não sabia o que fazer… Consagrei mais do Daime…

Eu me sentia refém da dor, e só queria que acabasse logo. Depois de 5 a 6 horas de dores intensas, eu já estava cansada, exausta, com medo de dar tudo errado. Estava demorando tanto… Sentia as contrações de 2 em dois minutos, de 1 em 1 minuto, e negava a dor… Tentei comer, mas não consegui. Uma barrinha de cereal foi suficiente para me fazer colocar todo almoço pra fora! >< Aquilo não parecia com o sonho mágico que eu havia visto nos vídeos de parto. hahahahaha

Não havia posição confortável, e em um momento, eu só conseguia ficar um pouco melhor sentada no chão, olhando-me no espelho do quarto. Me contorcia de dor, já começava a pensar que aquela não tinha sido uma boa ideia, que talvez não estivesse fluindo… Fiquei ali, por um tempo, só me olhando, e minha feição era de desconforto. “Pra que a cara feia?” Pensava eu.

Quanto mais eu me concentrava na dor, mais eu sofria… Quanto mais eu pedia para a dor passar, menos conseguia me concentrar no presente que eu estava recebendo… João Pedro… Ser de luz irradiante… Diante daquele espetáculo da vida, em que eu deveria ser a protagonista, só conseguia ficar parada, sem ação diante do fato de que JOÃO PEDRO ESTAVA CHEGANDOOO! xD “Segura o PATUÁ, cabocla! Ele está nascendo! Você está conseguindo” hahaha Fernanda permanecia comigo, trabalhando energeticamente, dando suporte, paciente…

Como a Karina ainda não tinha chegado, veio outra enfermeira para me examinar e ver se tudo ocorria bem. Estava tudo certo, era só questão de esperar… Dilatação completa, batimentos do João estavam okay, e eu estava ansiosa e nervosa. Gabriel até veio falar comigo nesta etapa do TP, me dizendo para me acalmar, e eu lhe respondi brava (nem lembro mais o que eu disse, mas fui estúpida com ele) xD Ouvia conversa lá fora de casa, e aquilo me incomodava muito! Estava na reta final… A dor era incessante!!!

Banhar-me no chuveiro quente foi meu grande refúgio, e eu passei bastante tempo embaixo d’água. Já não queria ficar sozinha, e ficar longe do Gabriel me deixava desconsolada. Fiquei muitas horas no chuveiro… O dia já começava a escurecer, e eu só pedia pro Gabriel ficar ao meu lado. Quando cantava, conseguia suportar a dor… Quando entoava, vibrando através do som, transcendia a dificuldade…

As luzes ficaram apagadas, e tinha velas também… Esse foi o ápice do rolê… Sentia a força da ayuasca trabalhando em mim… Me presenteando com mirações, me permitindo sentir o astral que rodeava-nos com tanto amor. Pedi para que Gabriel colocasse os hinos da igreja, e por esse momento, foi nos cânticos sagrados que encontrei minha fortaleza.

Consagrar a Ayahuasca no trabalho de parto despertou em mim uma força que eu achei que não tinha… Minha cabocla chegou, e pude sentir o êxtase de minha força interior… Contato intenso… Reconexão com minha divindade… O sagrado chá proporciona isso para aqueles que aceitam tomar… E Quando eu pensei que não poderia mais aguentar, recebi o conforto… quando o trabalho de parto já estava terminando, pude ter a graça de ficar um tempo sem sentir dor…  Foi um momento de paz, silêncio tão profundo…

Neste tempo, Karina chegou, verificou os batimentos do João, e conseguiu participar do nascimento. Na fase expulsiva do processo, eu já não sentia mais tanta dor. As contrações vinham, e eu não sabia como e quando fazer a força… Karina foi me orientando, e o processo foi fluindo… Eu estava me relembrando de como parir! Memória divina, gente! xD

Gabriel, Karina e Fernanda estavam no banheiro conosco. Comecei a sentir o João descendo, passando pelo canal de parto… Fazia a força quando vinha a contração, respirava fundo quando passava… E quando fomos ver, a cabecinha estava saindo! Eu passava a mão, e Gabriel até fez um carinho! <3 Estávamos felizes… A cabecinha foi saindo aos poucos (amassadinha! rs) e derrepente: PLOF! Saiu  pra fora! hauehuahuehuahue Todos vibraram!!!

Pude sentir João nascer, no banheiro de casa, as 8:30 da noite, a luz de velas, perto de pessoas especiais… Gabriel recebeu nosso filho em suas mãos… Entregou ele em meus braços, e eu… Nem sei o que estava sentindo…

Nasceu! Missão cumprida… Só que não! ahueuhahuhehuae Tanta coisa ainda havia de acontecer… Mas aquela noite, posso dizer que foi uma das noites mais linda da minha vida… Eu sentia uma serenidade… Uma paz que só voltando no tempo para reviver… Uma plenitude… Tão lindo… Eu gestei e pari sem estar preparada, mas no fundo, eu estava! Era pra ser como foi… E hoje eu vejo o quanto eu cresci com tudo isso… Como tudo na vida, experiencias são lições… Experienciar é a melhor forma de conhecer…. 

Os primeiros dias depois do nascimento do João foram de rainha! =D Fernanda nos acompanhou no pós-parto, e nos ensinou sobre alimentação saudável, cuidados com o bebe, prioridades, postura, conforto na amamentação… Foi muito bom ter ela por perto. Logo cedo, acordava com melão cortado pra comer ;D O almoço era com alimentos integrais. Lanches regados a fruta. Ganhamos até um caderninho de receitas! No caderno tinha dicas de compras, melhor supermercados para se comprar cada coisa… Um afago pra uma mãe recém-parida, gente *-*

No dia-a-dia eu ia seguindo, nos meus altos e baixos… Mesmo confusa, ia buscando compreender minhas dores, e ao mesmo tempo, querendo ver acontecer o sonho que eu e Gabriel planejávamos antes do nascimento… As coisas não saíram como pensávamos… E isso nos frustou muito… No pós-parto, tive a oportunidade de me restabelecer emocional e psicologicamente, e recebi ajuda da psicóloga Mariksa da Papo de Gaia. Foi fundamental para mim ter conhecido você!!! Despertou em mim uma luz que abrilhantou meu caminho.

Eu agradeço de coração por ter tido informação…. Por ter encontrado pessoas conectadas no amor… Por ter sido assistida por profissionais humanas, que acreditaram em mim, que me apoiaram, e que estiveram ao meu lado, ajudando a tornar realidade a vontade de parir de forma humana, conforme o tempo do corpo…

Agradeço ao Gabriel, por me apoiar, por estar ao meu lado sempre, em todos os momentos, e por persistir em ver nossa família feliz e realizada! Agradeço por ter te encontrado… Pois o amor que estamos reencontrando é a luz das nossas vidas… É como o ar que nos mantém vivos espiritualmente… E você… Parceiro leal… Amigo fiel e verdadeiro… Pai amoroso e consciente… Ser iluminado, forte, real… buscador desse universo, que despertou e desperta em mim, a cada dia, a coragem de AMAR, de PERDOAR, de COMPREENDER, e de seguir UNIDOS nesta caminhada da vida. Tudo o que vivemos serve como lição para nossos espíritos, e eu sei que hoje somos melhores do que fomos, e que continuaremos nessa escalada evolutiva para sempre! Você esteve ao meu lado nos melhores e nos piores momentos que passei, e foi muito forte e resistente diante das investidas trevosas que emergiram… E fico feliz também por termos vivido este e tantos outros momentos de felicidade juntos…Te amo!!!!

Graças a Deus, estávamos amparados pelos nossos familiares… Minha mãe, muitas vezes, dava o amor que eu não conseguia dar ao João no meu período de puerpério… Amor de vô é doce! Doce doce… E o dessa vó aqui <3 Marlene <3 incomparável! Foi fundamental estar perto dela em meu pós-parto do João… Aguentou firme todas as dificuldades… Me deu força pra continuar com os estudos… Gratidão por você cuidar de mim e por me ajudar com meus filhos em tudo o que precisamos. Você é um exemplo de firmeza, dedicação… Sou muito grata em ser sua filha nessa vida, e poder aprender tanto com nossa relação! Agradeço pelo amor inabalável… Pela coragem de aceitar receber meus dois filhos em sua casa… Por me apoiar em minhas escolhas, mesmo não concordando com muitas delas… Eu agradeço pela vida que me foi concedida através da sua, e pela sua determinação em cuidar de mim…  Amo você para sempre!

Agradeço a Linda, por ter ajudado com a grana do parto… Por apoiar a gente… Obrigada por ser quem você é… por amar intensamente… Você me inspira! E olha, transborda arte de ti, mulher… O Gabriel tem a quem puxar! Agradeço pela sua presença e do Serginho no parto da Clarice, ficamos felizes em receber você e Ana Karla no parto do João… Você é muito especial para nós…

Agradeço a Fernanda, pois seu trabalho e experiências de vida despetaram em mim a vontade de viver a maternidade… E eu, marinheira de primeira viagem, encontrei em ti a luz no fim do tunel rsrs Você é uma pessoa na qual eu me inspiro… Como uma irmã mais velha, sabe… Sou grata em ter conhecido mais sobre você, sua tragetória, sua vida, sobre seu modo de viver… E saber que eu não sou a única que tem conflitos, ainda mais depois de parir ;P

Agradeço à Karina, pela confiança de que nós conseguiríamos… Pude te conhecer melhor no parto da Clarice, e saiba que eu aprendi muito com sua força, fé, determinação, amor, cuidado, paciência, sabedoria, conhecimento… Suas histórias me deram força e firmeza para passar o processo do parto, e graças a Deus nós conseguimos aguentar firme e receber Maria Clarice com respeito, amor e coragem, mesmo em meio a conflitos e dificuldades que passamos… Aprendi muito com essas experiências, e eu sou MUITO GRATA por você ter estado conosco naqueles dias… Por ter cuidado de nós como uma mãe… Por ter assistido a gente com amor, respeito, profissionalismo…

E é isso, gente… Parir é maravilhoso… Uma experiência que, quando bem planejada e assistida por profissionais humanos, é gratificante… Doeu… e como doeu! Uma dor demorada e que vem sem perguntar se pode entrar… Que vinha quando menos esperávamos, remexia e remexe, em mim e no Gabriel, por dentro e por fora…

Parir não é somente um fenômeno físico… Maternar e Paternar é um grito da alma que a muito tempo deixamos de ouvir de nós mesmos… Reclamações de duas crianças que sentem, ao mesmo tempo, a alegria, a surpresa, os medos e as dores que guardamos dentro de nós…

Axé!
Gratidão!
By: Isabela Nantes

2 thoughts on “Relato de parto do João Pedro

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